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A Apple está ficando para trás na corrida da Inteligência Artificial?

O estudo ”The Illusion of Thinking” talvez seja um jeito de dizer que sim.
Em meio à disputa acirrada entre OpenAI, Google, Anthropic, Meta e tantos outros, a Apple tem mantido um perfil mais discreto na corrida dos modelos de IA generativa.

Enquanto as big techs lançam modelos cada vez mais impressionantes em reasoning, multimodal, agents e copilots, a Apple publica um estudo denso, técnico e — talvez — defensivo: The Illusion of Thinking: Understanding the Strengths and Limitations of Reasoning Models. Deixo o link para o artigo original em inglês ao final desse post

A pergunta natural é:

Será que a Apple está sugerindo que, na verdade, o mercado está superestimando a capacidade atual de raciocínio dessas IAs?

Vamos destrinchar o que o estudo mostra — e o que ele pode estar, sutilmente, tentando comunicar.

O que a Apple estudou: Reasoning Models sob o microscópio

O estudo parte de uma constatação válida:

A maioria das avaliações de IA hoje mede apenas o acerto final. Não mede o processo de raciocínio.

Para tentar analisar o pensamento dos modelos, os pesquisadores da Apple criaram um ambiente controlado, com quatro tipos de problemas clássicos de planejamento e lógica:

Esses puzzles têm algo que benchmarks como o MATH500 não oferecem:

As três zonas de performance que os modelos mostram

O estudo revela um padrão bastante robusto nos Large Reasoning Models (LRMs), como Claude 3.7 Thinking, DeepSeek-R1 e o3-mini:

1 – Baixa complexidade (problemas simples):

2 – Complexidade intermediária:

3 – Alta complexidade (problemas difíceis):


O curioso fenômeno do overthinking

A Apple explorou também o comportamento interno das thinking traces — o caminho de pensamento que o modelo gera até chegar a uma resposta.

Descobertas interessantes:

O “pensamento” não é sempre adaptativo. Muitas vezes é apenas uma enumeração exaustiva de possibilidades, limitada por ruído e falta de supervisão interna real.

Mesmo com o algoritmo pronto, eles falham

O estudo também testou uma hipótese crucial:

Será que o problema está em descobrir o caminho ou em executar os passos?

Resposta surpreendente:

O que a Apple realmente quer dizer com tudo isso?

Agora entramos na parte geopolítica da IA:

Em outras palavras:

“Não estamos tão atrás. Na verdade, ninguém ainda chegou lá de verdade.”

Claro que o estudo é sério, rigoroso, importante.

Mas é também uma peça de narrativa no xadrez estratégico da corrida de IA.

Conclusão: um avanço? Ou um recado?

O trabalho da Apple cumpre uma função dupla:

Em resumo:

Talvez The Illusion of Thinking não seja apenas o título do paper.

Pode ser também a forma como a Apple está nos dizendo: “Não acreditem que os outros estão tão longe na frente.”


Fontes:

Shojaee et al., The Illusion of Thinking: Understanding the Strengths and Limitations of Reasoning Models via the Lens of Problem Complexity (Apple, 2025) – Link do paper